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Jeremy Jacquet Chelsea GFXGetty/GOAL

Jeremy Jacquet: por que o Chelsea pode aceitar pagar 60 milhões de libras pelo zagueiro de 20 anos do Rennes?

Como é típico do Chelsea, Jacquet não tem nem de perto a experiência de um Rudiger, um Thiago Silva ou qualquer outro jogador que tenha atuado como zagueiro pelo clube nesta década. Ele tem apenas 20 anos e só completa 21 em julho. Mas, para ser justo com o clube londrino, Jacquet é o típico talento de alto nível pelo qual eles deveriam investir com mais frequência, em vez de gastar 20 milhões de libras aqui e ali em jovens que quase certamente nunca jogarão no time principal.

Então, quem é Jacquet, por que o Chelsea o identificou como a solução para seus problemas e ele valeria os 60 milhões de libras (R$ 428 milhões) que o Rennes está pedindo? A GOAL tem todos os detalhes sobre uma das maiores promessas da França...

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  • Onde tudo começou

    Jacquet nasceu no subúrbio parisiense de Bondy, em 13 de julho de 2005. Ele nem tinha completado um ano quando Zinedine Zidane deu uma cabeçada em Marco Materazzi na final da Copa do Mundo de 2006, na qual a França perdeu para a Itália nos pênaltis. Mas quando os Bleus finalmente conquistaram a Copa do Mundo novamente, Jacquet tinha acabado de completar 13 anos e jogava no time local, o RC Joinville.

    Muito se tem falado na França sobre a inacreditável incapacidade do Paris Saint-Germain de descobrir e revelar os melhores talentos locais. Jacquet foi mais um que escapou, já que assinou seu primeiro contrato amador com o Rennes, um clube da primeira divisão conhecido por formar jovens jogadores, em 2019.

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    A grande oportunidade

    Aos 18 anos, Jacquet deu um salto que o levou das categorias de base do Rennes diretamente para o time principal, fazendo sua estreia na Ligue 1 em janeiro de 2024 contra o Nice. Dias depois, foi emprestado ao Clermont, que lutava contra o rebaixamento, até o final daquela temporada, mas não conseguiu evitar a queda do time. Mesmo assim, decidiu-se que seria benéfico para Jacquet permanecer no Clermont, na Ligue 2. Outro empréstimo foi acertado para garantir a continuidade após sua atuação com a seleção francesa sub-19, que foi eleita para a Seleção do Torneio no Campeonato Europeu Sub-19, onde a França perdeu para a Espanha na final.

    O problema logo ficou claro: o zagueiro era simplesmente talentoso demais para jogar na segunda divisão. Jacquet não era apenas o pilar da defesa do Clermont, mas também uma ameaça no jogo aéreo e útil na construção de jogadas. O Rennes decidiu que valia a pena  desembolsar £780.000 (R$ 5,5 milhões) para encerrar o empréstimo no meio da temporada 2024/25.

    Jacquet foi titular em 11 dos 14 jogos restantes do Rennes na Ligue 1, ajudando a equipe a se afastar da luta contra o rebaixamento e a alcançar uma posição confortável no meio da tabela, terminando em 11º lugar.

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    Desempenho atual

    Apesar de suas poucas aparições em uma das cinco principais ligas, Jacquet foi fortemente ligado a uma transferência milionária em 2025. O Arsenal queria o jogador de 20 anos como substituto de Jakub Kiwior, mas o Rennes informou que ele não sairia após assinar um novo contrato em maio, e o próprio jogador não parecia muito interessado na transferência. Os Gunners então voltaram-se para Piero Hincapie, do Bayer Leverkusen.

    Uma janela inteira de especulações não desestabilizou Jacquet nem afetou seu foco, sendo titular em todos os jogos do campeonato pelo Rennes nesta temporada, com exceção de duas partidas devido a suspensão. Ele já foi convocado cinco vezes para a seleção francesa sub-21, mas crescem os pedidos para que Didier Deschamps lhe dê uma chance na seleção principal em março, visando a Copa do Mundo deste ano.

    Tal desempenho significava que era improvável que o mês de janeiro de Jacquet fosse tranquilo. O Chelsea precisa de uma contratação transformadora para a posição de zagueiro, mas se não surgisse como um potencial interessado, provavelmente outro grande clube o faria de qualquer maneira.

  • FBL-FRA-LIGUE1-RENNES-AUXERREAFP

    Pontos fortes

    Com uma confiança inabalável e uma agressividade controlada em doses consideráveis, Jacquet possui as ferramentas físicas e mentais necessárias para ser um zagueiro de elite. Ele se destacou jogando em esquemas com três e quatro defensores, atuando tanto pelas laterais quanto pelos lados da defesa e até mesmo, ocasionalmente, como um líbero à moda antiga.

    Jogando como um dos zagueiros mais abertos em um esquema com três zagueiros, Jacquet pôde demonstrar sua capacidade de defender grandes espaços com sua velocidade de recuperação, ao mesmo tempo que se sente igualmente confortável jogando no meio devido à sua habilidade no jogo aéreo - se ele se juntasse a uma equipe tão dedicada às bolas paradas quanto o Chelsea, poderia facilmente ver uma explosão em sua capacidade de marcar gols.

    Jacquet tem um talento especial para estar no lugar certo na hora certa, talvez melhor comprovado pela sua posição de 95º em interceptações (1,69 por 90 minutos) entre os zagueiros da Europa. Parte disso se deve ao seu posicionamento quando recua para defender, mas principalmente decorre da sua disposição em interceptar passes de adversários, roubando a bola no momento oportuno para recuperar a posse.

    O que diferencia Jacquet de outros defensores promissores na França é seu trabalho com a bola. Assista a qualquer jogo do Rennes e você o verá promovendo grandes inversões de jogo, passes verticais diretos e arrancadas que chegam até o campo adversário.

  • FBL-FRA-LIGUE1-RENNES-MONACOAFP

    Pontos a melhorar

    Existem duas principais preocupações em relação a Jacquet. A primeira, naturalmente, é como ele se adaptaria a uma liga e a uma equipe com muito mais pressão, principalmente se ele está sendo considerado o salvador da defesa do Chelsea a longo prazo. O fato de ele ter se destacado na Ligue 1 não significa necessariamente que terá sucesso na Premier League, e quanto mais expectativa ele gerar, maior será a pressão sobre ele.

    O segundo ponto tem a ver com seu estilo de jogo natural. A agressividade de Jacquet, na maior parte do tempo, é razoável e ele consegue se safar com sua tendência a ser mais cauteloso. Mas quando algo dá errado, o resultado pode ser desastroso. Não é incomum que ele seja driblado ou cometa uma falta boba, e essa é uma habilidade tão difícil de dominar que talvez sempre seja uma fraqueza.

    No início desta temporada, Jacquet recebeu seu primeiro cartão vermelho da carreira durante a derrota do Rennes por 5 a 0 para o PSG, fora de casa. Já com um cartão amarelo, ele derrubou o tornozelo de Gonçalo Ramos, que havia interceptado um passe errado na defesa. Foi mais um problema de concentração, mas em seu primeiro jogo de volta ao Rennes, Jacquet recebeu outro cartão amarelo, resultando em suspensão automática.

    As dúvidas sobre sua disciplina continuam válidas, e a ida para um time tão temperamental quanto o Chelsea - lanterna da tabela de fair play da Premier League - pode não contribuir para o seu desenvolvimento nesse aspecto.

  • Tottenham Hotspur v Villarreal CF - UEFA Champions League 2025/26 League Phase MD1Getty Images Sport

    O próximo... Cristian Romero?

    Lamento desapontar os torcedores do Chelsea que esperavam uma comparação com alguém que não jogasse em um time rival, mas o estilo de Jacquet é notavelmente semelhante ao do capitão do Tottenham, Cristian Romero. Bem, ele ganhou a Copa do Mundo como titular absoluto, então talvez isso não seja tão ruim assim, né?

    Tanto Jacquet quanto Romero são implacavelmente agressivos, para o bem ou para o mal. Não há como domá-los se você quiser que eles deem o seu melhor, e talvez você tenha que morrer por eles para viver por eles. Mas quando o estilo deles funciona, é glorioso de se ver, a beleza e a fera em uma só pessoa.

    Embora Romero tenha regredido defensivamente no Tottenham nesta temporada, ele continua sendo crucial para a construção de seus ataques. Ele demonstra muita confiança em sua capacidade de encontrar passes entre as linhas e acredita ser capaz de ganhar a bola muito mais à frente do que o restante da linha defensiva, algo com que Jacquet se identifica e que o Chelsea espera que ele possa reproduzir caso assine com os Blues.

    Mas Romero continua sendo jogador do Tottenham porque não conseguiu se livrar de seus maus hábitos. As faltas desnecessárias, os carrinhos exagerados, o lado imprudente do espectro da falta de pulso. Jacquet tem apenas 20 anos e seus melhores anos ainda estão por vir, então ele tem bastante tempo para corrigir esses pontos fracos em seu jogo.

  • Próximos passos

    O Chelsea já chegou a um acordo sobre os termos pessoais com Jacquet e o zagueiro está ansioso para se juntar aos Blues antes do fim da janela de transferências. Resta saber se o preço pedido pelo Rennes, de 60 milhões de libras (R$ 428 milhões), será um impeditivo ou se eles reduzirão esse valor, mas os dirigentes londrinos estão convencidos de que este é um jogador pelo qual vale a pena investir.

    O Rennes está a apenas dois pontos de uma vaga na Liga dos Campeões pela Ligue 1 e sabe que receberá propostas por Jacquet no fim da temporada, caso o Chelsea não atenda ao seu pedido de imediato. Talvez seja melhor para Jacquet esperar e reavaliar suas opções ao final da temporada.

    O técnico Habib Beye afirmou: "Acredito que Jeremy é muito importante para os nossos objetivos, e se ele saísse, teríamos que reduzir esses objetivos, porque ele é um jogador essencial para nós, um dos melhores da nossa equipe. Precisamos saber resistir a esse tipo de abordagem."

    Mas o Chelsea precisa desesperadamente de outro zagueiro confiável, e se eles realmente acreditam no talento de Jacquet, deveriam contratá-lo. Os notórios negociadores do Chelsea sabem melhor do que ninguém que todo jogador tem um preço.

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