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Rasmus Hojlund reborn GFX 16:9Getty/GOAL

Rasmus Hojlund renasceu: como Antonio Conte fez o atacante que fracassou no Manchester United explodir no Napoli

A ideia de que é mais fácil marcar gols na Serie A do que na Premier League é, obviamente, discutível. Ainda assim, os críticos tinham razão ao apontar que sair do United não foi exatamente uma decisão de Højlund. Durante todo o verão europeu, ele deixou claro que queria ficar e “lutar pelo seu espaço”, mas acabou sendo jogado para fora de Old Trafford pelo técnico Rúben Amorim, após a contratação de Benjamin Šeško por 74 milhões de libras (mais de R$ 500 milhões).

Mesmo que Højlund tenha tido pouca voz em sua saída do United, uma coisa ficou muito clara: a ida para o Napoli foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Segundo o diretor esportivo do clube, Giovanni Manna, “times mais tradicionais” demonstraram interesse no atacante, mas Højlund sentiu que jogar no Estádio Diego Armando Maradona era “exatamente o que precisava neste momento da carreira” — e a escolha já se mostrou certeira.

Para Manna, a compra definitiva por 38 milhões de libras (quase R$ 280 milhões), condicionada à classificação para a Champions League, é praticamente “mera formalidade”. Afinal, enquanto Šeško sofre ainda mais no United de Amorim do que o próprio Højlund sofreu, o dinamarquês renasceu na Itália sob o comando de Antonio Conte.

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  • SSC Napoli v AC Milan - Supercoppa Italiana SemifinalGetty Images Sport

    Primeiro McTominay, agora Hojlund

    Quando Højlund marcou em sua estreia pelo Napoli, Conte brincou dizendo que esperava que a contratação trouxesse a mesma sorte de outro “chutado” de Old Trafford: Scott McTominay, protagonista inesperado do título italiano do Napoli em sua primeira temporada no clube.

    Mas não foi sorte. Conte pode ser uma figura influente no futebol, mas é também um excelente avaliador de talentos e um gestor de pessoas excepcional. McTominay já admitiu que se sentia “mal utilizado” no United, atuando repetidamente como volante e até como zagueiro. Conte, porém, enxergou que o escocês tinha um “DNA ofensivo”. E acertou em cheio: McTominay marcou 13 gols na campanha do Scudetto.

    Conte, aliás, tem histórico de recuperar camisas 9 que fracassaram em Old Trafford. Quando finalmente conseguiu trabalhar com Romelu Lukaku na Inter, após três tentativas frustradas nos tempos de Juventus e Chelsea, transformou o belga em um dos atacantes mais eficientes do mundo, aprimorando seu jogo de costas para o gol.

    E o treinador está convencido de que pode fazer algo parecido com Højlund.

    “Ele é um jogador de 22 anos que estava ‘largado’ no Manchester United”, disse Conte após o gol da vitória contra o Genoa, em 5 de outubro. “Tem uma margem enorme de evolução. Precisa trabalhar, porque tem potencial para se tornar uma estrela, e já está mostrando isso.”

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    Dificuldades em Old Trafford

    É inegável que Højlund decepcionou durante seus dois anos no United. Em determinado momento da segunda temporada, ficou 21 jogos sem marcar. Nesse período, uma de suas maiores qualidades falhou, o jogo de pivô desapareceu e ele passou a se preocupar demais em disputar força física com os zagueiros.

    “Eu fico frustrado assistindo, porque ele está sempre tentando brigar com o defensor”, disse Rio Ferdinand à TNT Sports. “Às vezes, você precisa se livrar do contato para receber a bola com mais facilidade e chegar às zonas onde realmente faz a diferença: entre as traves e dentro da área.”

    Nem sempre foi assim. Houve lampejos do potencial que o United acreditou estar comprando da Atalanta, especialmente em sua temporada de estreia, quando se tornou o jogador mais jovem da história da Premier League a marcar em seis jogos consecutivos.

    Mesmo no fim da última temporada, quando parecia sem confiança, Højlund mantinha a convicção de que poderia “entregar gols” com regularidade. “Sinto que amadureci muito e estou pronto para o que vem pela frente”, disse em julho. “Ainda sou muito jovem. As pessoas esquecem isso às vezes. Nem todo atacante marca 100 gols aos 22 anos.

    “Mas aprendi muito, e isso aparece no meu jogo. Estou evoluindo e ficando cada vez melhor.”

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    Entendendo melhor o seu papel

    No Napoli, a melhora no jogo coletivo é evidente. David Neres, por exemplo, já marcou três gols a partir de assistências de Højlund nesta temporada.

    “Conte dá confiança a ele e o faz crescer”, disse o olheiro Luca Nigriello, da Sport Entertainment Group, à TuttoNapoli. “Rasmus joga, erra e aprende. Ficou mais faminto, mais constante. É um camaleão: se adapta ao que o time pede e aprende coisas novas. Sempre foi um atacante de profundidade, como na Atalanta. Agora está adicionando movimentos mais típicos da área, tornando-se uma referência central, quase como o Lukaku.”

    Conte também se mostrou satisfeito com a evolução do dinamarquês em liderar o ataque e envolver os companheiros, algo ainda mais importante diante das frequentes ausências de Lukaku por lesão.

    “Desde que chegou, Højlund já evoluiu para se tornar dominante nessa função”, explicou o treinador. “Ele está começando a entender as posições corretas, como proteger a bola, quando se aproximar ou quando se afastar.”

    E, como todo camisa 9, ele é julgado pelos gols. Usando uma curiosa analogia com ketchup, o próprio Højlund disse que eles voltaram a “sair”.

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    “Muito parecido com Haaland”

    Nove gols na temporada não impressionam de cara — ainda que isso o deixe a apenas um de igualar toda a sua marca pelo United em 2024/25. O que chama atenção é que o doblete decisivo contra a Cremonese fez com que ele chegasse a cinco gols nos últimos cinco jogos.

    Assim, as comparações com Erling Haaland já não soam tão absurdas. Kevin De Bruyne, inclusive, afirmou que Højlund é “bem parecido” com o compatriota escandinavo. “Ambos são canhotos e gostam de atacar o espaço”, disse o belga. “E acho que o Rasmus tem muita qualidade.”

    Foi uma pena De Bruyne ter sofrido uma grave lesão ao converter um pênalti contra a Inter dois meses atrás, interrompendo uma parceria promissora. Como Højlund escreveu após a vitória sobre o Sporting, em 1º de outubro: “‘Højlund marca duas vezes na Champions com duas assistências de Kevin De Bruyne’ não estava no meu bingo de 2025!”

  • Manchester United v ACF Fiorentina - Pre-Season FriendlyGetty Images Sport

    “O problema no United não era o Højlund”

    Mesmo sem De Bruyne, Højlund segue rendendo, muito por estar agora em “um time que funciona”, como disse o técnico da Dinamarca, Brian Riemer. O contraste é claro com Šeško, isolado no United de Amorim.

    “Acredito sinceramente que o Højlund poderia ter sido um atacante de 25 gols por temporada no Manchester United”, afirmou Peter Schmeichel à Sky Bet. “O problema não era ele, mas a forma como o time jogava. O sistema não favorecia o seu estilo.

    “Quando Garnacho ou Rashford pegavam a bola, pensavam apenas em chutar. A bola nunca chegava no camisa 9, mesmo com o Rasmus fazendo ótimas movimentações. A torcida via isso. Eles gostavam dele porque ele lutava, corria, se entregava 100%. Mas sem oportunidades, o que mais ele poderia fazer?”

    No Napoli, essas oportunidades finalmente apareceram, e Højlund está aproveitando cada uma delas.

  • SSC Napoli v AC Milan - Supercoppa Italiana SemifinalGetty Images Sport

    “Potencial para ser um dos melhores do mundo”

    Christian Vieri acredita que Højlund pode se tornar “um dos cinco melhores atacantes do mundo”. “Ele sabe marcar gols, atacar em profundidade e desgastar as defesas”, disse à Gazzetta dello Sport. “Tem um ótimo pé esquerdo, é forte fisicamente e bom de cabeça.”

    Giampaolo Pazzini vai além: para ele, graças a Conte, Højlund é hoje “o atacante mais completo da Serie A ao lado de Lautaro Martínez”. “Ele passou por uma transformação incrível desde que chegou”, afirmou ao Sport Mediaset. “Sempre teve instinto e força, mas era como um cavalo selvagem. Conte o pegou, educou e lapidou. Agora é um atacante completo: joga para o time, não erra, não se precipita, sabe jogar curto e longo, e é implacável na frente do gol. Além disso, ajuda na defesa.”

    Højlund sempre teve uma ética de trabalho impressionante — não por acaso, idolatra Cristiano Ronaldo. Christian Eriksen defende que a boa fase atual é fruto não só do que ele “passou no United”, mas também do esforço diário dentro e fora de campo.

    Isso se provou quando, ao marcar seu primeiro gol pelo Napoli, vários ex-companheiros do United, como Bruno Fernandes e Harry Maguire, tenham ido parabenizá-lo em uma postagem no Instagram com a legenda: “O primeiro dia no novo trabalho não decepcionou”.

    Houve altos e baixos desde então, mas quando Højlund diz que jogar no Napoli de Conte era exatamente o que ele precisava neste momento da carreira, é difícil discordar. A saída do United pode não ter sido sua escolha, mas acabou se tornando uma grande volta por cima.

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